27 de outubro de 2009
9 de outubro de 2009
Zela, por mim

21 de julho de 2009
Sentidos
O olfato é um dos sentidos mais interessante do meu corpo. Graças a ele sou capaz de fazer uma espécie de arquivo associativo. Essa espécie de registo é capaz de me levar às mais variadas lembranças. Aquele bálsamo da sombra das figueiras ao chegar à Prainha, o cheirinho único dos meus filhos à nascença, a fragância do ar e da terra nas primeiras chuvas, o odor que as linhas férreas exalam após a passagem do combóio, o aroma de uma comida ou algum perfume que ficou gravado na minha mente, são verdadeiras tatuagens no meu espírito. Tratam-se de verdadeiras marcas e, sempre que as sinto, fazem-me mergulhar num mar de lembranças, trazendo recordações de pessoas ou de momentos, sejam eles bons ou maus.
Depois há o nosso próprio perfume, os odores corporais de cada um, um cheiro que só a nós pertence, distinto e único, que não se repete em mais ninguém, e que vai muito além de uma sociedade "desodorizada". Recorremos, no entanto, a produtos de higiene que transformem os nossos (maus) cheiros em sensações agradáveis. O ritual matinal de me perfumar após o banho, na medida proporção do meu gosto - nem em falta, nem em demasia - assume uma magia inexplicável.
Traduzir para imagens uma série de sensações olfactivas (e não só), e conseguir manter toda a sensualidade resultante desse segredo lendário -perfume- num pequeno filme publicitário, só poderia ser feito por alguém que conhece bem a sétima arte.
Coração Feliz
Acredito ter encontrado as essências que se colam perfeitamente à minha pele, que combinam com a minha personalidade, elevando o meu aroma natural. Celebro essa química como se de uma verdadeira cerimónia se tratasse. É a liturgia do amor-próprio olfactivo, ou não fosse o Happy Heart o meu perfume perfeito. Mas é muito uma questão de pele. É aqui que entra o tacto.
Muitas vezes enaltecido por uma l'eau de parfum, um ser perfumado toca, apesar de tudo, todas as coisas com os seus dedos de energia. A luz que emanam gera reacções primitivas e não racionais de atracção ou repulsa. É uma questão de pele. Ao seu lado, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atracção que nos move não passa só pelo corpo, corre nas veias.
Acredito que há almas perfumadas. O meu filho é a prova disso. Cheira a sol de manhã, a flores quando ri e a céu estrelado quando, à noite, se vem deitar comigo. Ao seu lado, saboreio a delícia do toque suave que sopra no meu coração a sua presença. Os sentimentos que aquelas mãozinhas tranportam, no tactear da cama em busca do meu corpo, também têm cheiro. Esse toque encerra em si um silêncio, apenas quebrado quando encontra o meu peito.
Ama-se pelo cheiro, pelo toque da pele, pelo tom de voz, pelo olhar inquietante, pelo gosto do beijo, pela paz que o outro nos dá, ou pelo tormento que nos provoca. Amo justamente pelo que o amor tem de indefinível.
10 de julho de 2009
sinto, logo... Vivo!
Acordei com medo. E se eu tiver chegado a um ponto em que perdi o sentido da vida? Assustou-me ainda mais pensar que, ainda que um propósito final existisse, ou uma acérrima convicção religiosa o justificasse, isso não me satisfaria plenamente.O esvaziar de objectivos claros e concretos, faz-me sentir meio perdida. Estagnada face aos caminhos, desmotivada quanto a rumos futuros. Cresci estabelecendo metas, contornando obstáculos e imprevistos que, quero acreditar, pudessem levar-me à felicidade. E quando dei conta, sentia uma espécie de vazio, de acomodação ao que conseguira alcançar, de cansaço, de ingratidão. Como se tudo dependesse do meu brilhante desempenho. Será nisto que a psicoterapia -de que a Dra. Margarida falava- poderia fazer algo por mim? O que quereria ela dizer com "há aí muita pedra para partir"?...
Naquele dia, não percebi o alcance daquelas duras palavras. Dentro de mim, sentia porém a vida a pulsar noutro tempo, noutro lugar. Fiquei com a sensação de caminhar sem bússola. Era a Sissi que queria ser médica, artista, pintora, cantora... Visualizei tudo aquilo que queria ter sido e não fui. Apeteceu-me permanecer em off durante tempo indeterminado. Precisei de me reprogramar. Há coisas que preciso de desculpar em mim e aceitar ser desculpada.
Dei por mim a pensar: o sentido da vida é redescobrir o prazer de viver. Nunca porei termo ao eterno desassossego da alma. Se é isso que me faz feliz. Mudar de vida porquê? E no entanto, adormeço com tanto medo.
17 de junho de 2009
À pesca de um Santo
Outra Gaivota
Reparo agora que nunca procurei entender a dimensão dessas festas. Já em Lisboa, nunca as celebrei, certamente mais rendida ao snobismo do que propriamente por coincidir com a época de exames universitários mais exigente.
Hoje já não cedo à tentação do preconceito de "não gostar de certas coisas". Sardinhas, caracóis, fado, arraiais e bailaricos? Sempre gostei!
No próximo ano, deixarei de me sentir nostálgica face ao que não vivi. Como qualquer alfacinha, partirei numa algazarra colorida, em busca do meu santo. Até lá, vou ouvindo o pipilar desta gaivota.
27 de abril de 2009
À espera

O corpo não me tem pedido para escrever. À noite, quando o silêncio finalmente se instala, deixo-me envolver pelo cansaço, fecho os olhos e adormeço. E aí fico, dentro do frio que me envolve por dentro, encolhida e frágil à espera que chegue o momento. Chegará o instante, pensava eu...
20 de abril de 2009
Amor numa gaiola

Há pássaros que querem levantar voo, e não conseguem. Não estão presos, o céu está livre, nada os impede de voar. Mas ficam parados, como se não tivessem asas, ou a terra os hipnotizasse. Não precisam de gaiola; podemos abrir portas e janelas: o seu lugar é onde estão, e hão-de ficar.
Mas os dedos que tocam o seu corpo frágil sentem uma hesitação; e os olhos que os fixam adivinham o desejo de se libertarem. Porém, estão imóveis. São os pássaros que não conhecem Outono nem Inverno, os que não sabem para que lado fica o horizonte, os que nunca roçaram o dorso das nuvens.
Tenho estes pássaros na cabeça; e mesmo quando lhes abro o campo do poema, não saem de dentro de mim, ensinando-me o seu canto. Hoje, como naquele tempo, continuo a não entender. E mais prisioneira me torno. Como pode o amor trair o amor? Engaiolei-me nessas grades invisíveis, numa espécie de sintonia de equilíbrio, desiquilibrado.
17 de abril de 2009
Physalis

No Brasil o Physalis é utilizado como tira-gosto em degustações de vinho. Mas o alto teor de vitaminas A, C ferro e fósforo conferem-lhe propriedades medicinais importantes como purificar o sangue e fortalecer o sistema imunológico. Chamam-lhe camapum, joá-de-capote, saco-de-bode, bucho-de-rã, bate-testa e mata-fome. Mas mesmo assim, é impossível resistir-lhe.
Eu chamar-lhe-ía fruto da paixão.
O Fartura


Nos desacatos com a avó, soltava para o ar uns "Tal tá a porra, heim!?" e outros "Ah, fado dum cabrão!" enquanto descascávamos favas, partíamos amêndoas, britávamos azeitonas , ou depenávamos passarinhos. Mas tinha um coração enorme e, apesar de não ser do género de andar sempre aos beijinhos, tinha no olhar um brilho indescritível quando nos presenteava. Os presentes que recordo com maior carinho são uns patins, (devia eu ter uns três anos) e o órgão que orgulhosamente me ouvia tocar no "Faducho".
16 de abril de 2009
15 de abril de 2009
Palavras para quê!
A mim leva-me sempre às minhas origens, aos encantos dos recantos da terra onde nasci, e que avisto da "ponte nova" com uma vaidade crescente cada vez que lá vou.
Mas depois, cada vez que regresso a Lisboa me sinto mais entregue à grande cidade. Como se também aqui tivesse criado raízes, já que aqui tenho vivido.
E tenho medo de já não saber onde pertenço. Fico meio perdida no meio dos meus sentimentos. Em silêncio.
Vida, leva eu...

Gosto disto de se puder usar tudo. Não tenho um estilo definido. Sou assim com tudo. Gosto de escolher o que me apetece, o que melhor combina com o meu estado de espírito. Sabe-me a liberdade. De vez em quando tenho vontade de não ceder à tentação de fazer o que realmente desejo num determinado momento.
5 de abril de 2009
In Love with...
Foi o que aconteceu quando me apresentaram a Zilian e me puseram perante um dilema de 400 m2 de sapatos de salto alto, rasos, com cunha, abertos, fechados, bicudos, redondos, sandálias, botas, chinelos e ténis. Basta espreitar a montra para vozinhas demoníacas começarem a ecoar dentro do cérebro e a empurrar-nos lá para dentro. A loja é enorme, tem um conceito original e uma relações públicas carioca que, além de simpática, demonstrou um profissionalismo e sentido comercial fora de série. Um verdadeiro cocktail que apela ao consumo não só pelo aparente equilíbrio entre qualidade, design e preço mas acima de tudo pela atitude irreverente, positiva, alegre e apaixonada. Não pude resistir a sair de lá mais leve!3 de abril de 2009
Sapatos

Ali pode ler-se por exemplo, que os meus brinquedos favoritos ainda antes do primeiro ano de vida eram: sapatos e a caixa de ferramentas. Não sei explicar a origem de tal preferência, mas se é verdade que com o passar dos anos as "ferramentas" foram dando lugar a acessórios da mais variada índole (culinários, de limpeza, de moda, beleza, médicos, terapêuticos) já o mesmo não se pode dizer relativamente aos sapatos. Essa paixão permanece e está para durar.
Não me considero uma fashion victim, uma esbanjadora ou uma consumista nata, mas a verdade é que sou capaz de resistir a tudo em termos de moda excepto a um par de sapatos que me encha as medidas. Sou uma observadora particularmente atenta ao tipo de calçado que as pessoas usam, e acredito que ele revela muito do carácter e personalidade de cada um.
No topo das minhas preferências estão: botas e sandálias. Elas assumem o meu elo de ligação à esfera terrestre, o principal ponto de contacto com o solo e, nunca é demais relembrar que apesar de tudo, bem ou mal, também os meus pés assentam no chão! De salto alto, bem alto de preferência, a cabeça fica ainda mais perto das nuvens, e assumo aqueles centímetros que a natureza teimou não me dar, como se da minha própria medida se tratasse. Não que seja baixa para a média, mas confesso, queria tanto ter crescido só mais 5 cm!
30 de março de 2009
E o que é que para mim é fácil?
No regresso pela marginal dei comigo a pensar que a inspiração surge de forma natural, atendendo às coisas simples do quotidiano. E daquele silêncio apenas retive uma ideia. Há coisas que vão mudando com o passar do tempo, com a idade, com a vida. Outras permanecem.
Não consigo deixar de ficar atenta a quem na mesa rejeita a opção de beber o café com açucar. Institivamente faço a recolha dos pacotinhos inutilizados para dentro do meu saco. Assim não tenho de ouvir o meu pai a reclamar do tamanho do açucareiro.
Ah!... e a minha cor preferida continua a ser o rosa. Não um rosa qualquer, mas "aquele rosa". Vêem o que para mim é fácil?
28 de março de 2009
"S" de Sete
27 de março de 2009
Perder peso por dentro
26 de março de 2009
O Segredo

25 de março de 2009
Simplesmente Mulher
Sou devassa e sou santa
Recatada e vulgar
Louca, tão centrada e tão louca
Degustando em tua boca
As delicias de amar
Me respeita e me abusa
Me ame como quiser
Simples demais ou confusa
Sou simplesmente mulher
(Silvia Machete)




